Existem frases que carregam mais desespero do que um “precisamos conversar” em um relacionamento. No ambiente corporativo, essa frase é: “Vou marcar um call para a gente alinhar”.
Nesse momento, o João Ninguém sente um calafrio. Ele sabe que a produtividade está prestes a ser sacrificada no altar de uma sala de reunião (ou de um link do Teams). São quarenta minutos de pessoas repetindo as mesmas palavras — “sinergia”, “roadmap”, “priorização” — para decidir algo que um simples “joinha” no WhatsApp resolveria.
No Reino, essas reuniões são como missas obrigatórias de uma religião que você não professa. Você olha para a câmera desligada, finge que está prestando atenção, mas seu cérebro está apenas processando o barulho do ventilador do notebook.
Quando a chamada termina e alguém diz “ganhamos dez minutos do nosso tempo de volta”, você sabe que é mentira. Ninguém ganha tempo no escritório. A gente apenas sobrevive a mais uma rodada de burocracia disfarçada de colaboração.